Assia Djebar: Vozes das mulheres argelinas na literatura e no cinema
Conheça a vida e obra de Assia Djebar, importante escritora e acadêmica argelina, em foco em 2025.

Assia Djebar: Vozes das mulheres argelinas na literatura e no cinema
Assia Djebar, uma voz inspiradora da Argélia
Assia Djebar, nascida em 30 de junho de 1936 em Cherchell, Argélia, é uma das escritoras mais influentes da língua francesa. Seu nome, que combina o significado de “aquela que dá conforto” e “a inflexível”, já mostra sua personalidade forte. Iniciou a sua carreira literária em 1957 com o seu primeiro romance “La Soif”, seguido de outras obras importantes como “Les Impacients” e “Les Enfants du nouveau monde”. Djebar tornou-se a primeira normalista magrebina e, na sua vocação de autora e cineasta, sempre trabalhou para fazer ouvir as vozes das mulheres argelinas que muitas vezes foram esquecidas pela história. Não é, portanto, surpreendente que as suas obras tenham sido traduzidas para 23 línguas e que tenha sido eleita para a prestigiada Académie Française em 2005, sucedendo a Georges Vedel.
Uma obra central de Djebar é a coleção “Femmes d’Alger dans leur appartement”, publicada em 1978. Conta histórias que dialogam com grandes pinturas como as de Delacroix e Picasso. Ela usa esta ligação com a arte para moldar e promover uma identidade moderna para as mulheres argelinas. A coleção não é apenas autobiográfica, mas também possibilita a autoficção coletiva ao abordar diálogos ficcionais e recriados entre mulheres. A autora reúne as vozes e experiências de muitas mulheres numa troca criativa – uma espécie de diálogo rebelde entre o passado e o presente.
Legado literário e prêmios
Djebar foi um conferencista muito procurado e lecionou em várias universidades, inclusive como professor de história moderna e contemporânea do Magrebe na Faculdade de Literatura de Rabat. O seu trabalho, que aposta fortemente na história e na cultura da Argélia, é reconhecido mundialmente. O filme "La Nouba des femmes du Mont Chenoua", que ela lançou em 1978, trata de temas semelhantes e recebeu o Prêmio da Crítica Internacional na Bienal de Veneza em 1979. Este trabalho ainda é uma parte importante do programa de estudos em muitas universidades americanas hoje.
O trabalho de Djebar foi reconhecido com inúmeros prêmios, incluindo o Prix Liberatur e o Prêmio Neustadt internacional. Suas contribuições para a literatura e a ciência foram reconhecidas com doutorados honorários das universidades de Viena e Osnabrück. Além disso, organizou simpósios literários internacionais para partilhar a sua visão e ideias sobre as mulheres argelinas e o seu papel na sociedade.
Engajamento político e cultural
Assia Djebar não foi apenas activa como escritora, mas também como uma voz empenhada na cultura argelina e nos direitos das mulheres. As suas obras estão repletas de uma profunda compreensão dos desafios que as mulheres enfrentaram e continuam a enfrentar, e ela participou ativamente no debate sobre a situação social e cultural na Argélia. No seu trabalho, ela incentiva as mulheres a contarem as suas histórias e a manterem o diálogo entre si - uma mensagem que ela enfatiza particularmente no posfácio de “Femmes d’Alger dans leur appartement”. Este compromisso com a libertação das mulheres coloca-a numa posição chave no discurso literário e social, tanto na Argélia como em todo o mundo.
Assia Djebar morreu em 6 de fevereiro de 2015 em Paris, mas seu legado continua vivo em sua escrita e no progresso que ela fez para a visibilidade das mulheres argelinas na literatura. Suas obras convidam você a examinar sua autoimagem e identidade no mundo de hoje. Um apelo claro para continuar o diálogo e nunca permitir que as vozes das mulheres sejam silenciadas. Se olharmos para o trabalho da sua vida, que continua a inspirar-nos, a sua mensagem continua relevante: o poder da troca e da empatia entre as mulheres.
Para mais informações sobre esta extraordinária vida e obra de Assia Djebar, dê uma olhada nos relatos de Rádio França, Academia Francesa e Academia.edu.