Tchibo processa Aldi: Lute por um café justo e pelos direitos dos trabalhadores!
Tchibo está processando a Aldi pelos preços baixos do café. A disputa sobre condições de trabalho justas e transparência na indústria continua acirrada.

Tchibo processa Aldi: Lute por um café justo e pelos direitos dos trabalhadores!
O café é um prazer diário para muitos, mas as nossas variedades favoritas muitas vezes escondem verdades obscuras. Um conflito entre Tchibo e Aldi Süd reacendeu agora a discussão sobre preços justos e transparência na produção de café. Tchibo acusa a Aldi de oferecer o seu café a preços reduzidos, o que levou a marca ao Tribunal Regional Superior de Düsseldorf. Isto poderia ter consequências potencialmente de longo alcance para os preços em toda a indústria, uma vez que não só os consumidores, mas também muitos trabalhadores do cultivo do café são diretamente afetados.
A realidade da cafeicultura é alarmante. O Brasil, como maior exportador de café do mundo, registrou cerca de 2.600 casos documentados de más condições de trabalho nas plantações de café em 2022. Os trabalhadores muitas vezes vivem em condições análogas à escravidão, têm que financiar suas próprias roupas de proteção e caem na armadilha da dívida devido aos altos custos de acomodação e alimentação, conforme mostrado em tagesschau.de é relatado.
Condições de trabalho em foco
Um trabalhador chamado Irã descreve seu próprio destino e fala de cicatrizes e ferimentos nas mãos. O número de casos de exploração não denunciados é provavelmente ainda maior. Estas queixas não são fenómenos novos, o problema existe há anos e foi ainda mais agravado sob a presidência de Jair Bolsonaro, quando os recursos para combater tais condições foram massivamente cortados. É de esperar que o aumento da dotação orçamental do Presidente Lula da Silva traga pelo menos um pequeno progresso neste sentido.
Mas mesmo com vontade política para mudar a situação, a aplicação continua difícil. O sindicato Adere MG, em Minas Gerais, luta incansavelmente contra as condições desumanas de trabalho. Jorge Ferreira, sindicalista activa, relata como cuida dos catadores de café e melhora as suas condições. Minas Gerais, como região produtora mais importante do café Arábica, encabeça a chamada “lista suja” do Ministério do Trabalho brasileiro. Apesar de todos os esforços, existem enormes desafios, especialmente o medo dos trabalhadores de falarem abertamente sobre as suas queixas por medo de represálias.
Comércio justo e equilíbrio de mercado
Cada vez mais consumidores procuram transparência e condições justas na compra de café, independentemente do preço. Algumas variedades certificadas pelo Comércio Justo e pela Rainforest Alliance oferecidas pela Tchibo, por exemplo, já ajudaram a aumentar a conscientização. Os preços dos grãos de café cultivados de forma razoável, como o quilo de Honduras, chegam a 40 euros. Já o “Feine Milde” de Tchibo custa cerca de 18 euros. A diferença entre os preços justos e os preços lixo poderia levar a uma discussão fundamental sobre o valor do cultivo do café.
Embora muitas empresas, incluindo grandes nomes como a Nestlé e a Starbucks, comprem café a compradores que operam de forma não transparente, a necessidade de um consumo eticamente responsável está a crescer entre os consumidores. Um repensar poderia não só mudar o mercado, mas também a vida de milhares de trabalhadores que têm de trabalhar em condições desumanas, como mostram as histórias de Gizela e José, que foram finalmente libertados da sua situação difícil e agora levam uma vida melhor.
O café não é apenas um alimento luxuoso; é um produto que influencia o destino de muitas pessoas no Sul global. Resta esperar que futuras disputas sobre preços e qualidade também promovam o debate sobre as condições de vida dos trabalhadores da indústria cafeeira e, assim, iniciem uma mudança sustentável.